O lipedema caracteriza-se, sobretudo, pelo acúmulo desproporcional de gordura na zona inferior do corpo. A esta doença estão também associados outros sintomas. Neste artigo vamos explicar o que é, quais os gatilhos para o seu aparecimento e quais os sintomas de lipedema.
Lipedema não é obesidade, celulite ou linfedema
Como referido, o lipedema é uma condição crónica e progressiva considerada doença pela Organização Mundial de Saúde apenas em 2019.
É subdiagnosticada, ou seja, ainda há pouco conhecimento científico sobre a mesma e o diagnóstico nem sempre acontece ou, em acontecendo, é incompleto. Isto acontece porque muitas vezes o lipedema é confundido com obesidade, celulite ou linfedema.
Lipedema não é obesidade, apesar de poderem coexistir. A gordura do lipedema não é igual à gordura dita “normal” em casos de excesso de peso ou obesidade, pois é uma gordura inflamada, apresentada em nódulos dolorosos.
Lipedema não é celulite, apesar de visualmente a pele ter aquele aspeto casca de laranja e parecer igualmente flácida. Nestes casos a palpação essencial no diagnóstico clínico do lipedema é crucial para diferenciar as duas condições.
Lipedema não é linfedema, já que a acumulação de gordura é simétrica e no linfedema, por norma, o acúmulo de líquido linfático ocorre em apenas um membro e por consequência de uma alteração no sistema linfático.
Compreender o que é o lipedema e saber diferenciar os seus sintomas é importante para um diagnóstico correto e atempado e para a definição de um plano terapêutico adequado, evitando a frustração, o sofrimento físico e o impacto na qualidade de vida.
Afinal, o que é o lipedema?
O lipedema é uma doença do tecido adiposo e do tecido conjuntivo, com origem multifatorial, e que envolve fatores genéticos, hormonais e inflamatórios.
Não há uma causa concreta para o lipedema mas existe, já estudada, uma predisposição genética. Depois, sabemos que os níveis de estrogénio têm um elevado impacto na acumulação de gordura e períodos da vida de grandes flutuações hormonais — como a adolescência, a gravidez e a menopausa — podem ser gatilhos para o surgimento da doença. Finalizando, a inflamação crónica é também um dos factores que promove o lipedema e o agravamento dos sintomas.
É comum que o lipedema surja nestas diferentes fases da vida da mulher ou, já existindo manifestações, que os sintomas piorem ou a doença progrida para graus mais avançados.
Os sintomas do Lipedema
Além do acúmulo desproporcional de gordura, sobretudo nos membros inferiores do corpo, estes são outros sintomas de lipedema:
- Nódulos de gordura dolorosos ao toque
- Dores nas pernas
- Sensibilidade ao toque e à palpação
- Criação de hematomas com facilidade
- Sinal de garrote, em que há uma diferença clara entre a perna e o pé.
Uma das principais diferenças entre o lipedema e o excesso de peso ou obesidade é que a gordura do lipedema não responde a dietas restritivas ou exercício físico. É por isso que muitas pacientes nos chegam já frustradas e dizendo que “já tentei de tudo”.
Como saber se tenho lipedema?
O primeiro passo é fazer um diagnóstico com um profissional qualificado e especializado. Não há um exame de diagnóstico específico para o lipedema, pelo que o diagnóstico é clínico.
É realizada uma anamnese para estudo do historial do paciente, acolhendo as suas queixas e sintomas, bem como uma avaliação corporal realizada por terapeuta certificada. Esta palpação é importante precisamente para verificar todas as características visíveis e palpáveis da doença.
Com um diagnóstico e o grau do lipedema definido, é possível avançar para um tratamento de redução dos sintomas e estabilização da doença. O lipedema é uma doença crónica, sem cura, mas é possível viver com lipedema e ter qualidade de vida: reduzindo os sintomas, os desconfortos e travando a sua progressão.
Se reconhece estes sintomas de lipedema em si ou não tem a certeza se será ou não lipedema, agende a sua primeira consulta e obtenha o seu diagnóstico.
Dr.ª Marta Padilha
Médica de Medicina Geral e Familiar com Master em Medicina Anti-envelhecimento e Longevidade e Pós-graduada em Lipedema, tendo concluído a primeira pós-graduação do lipedema no mundo | Cédula Ordem dos Médicos nº44139
Artigos científicos:
Morgan, Steven et al. “A Family-Based Study of Inherited Genetic Risk in Lipedema.” Lymphatic research and biology vol. 22,2 (2024): 106-111.
Katzer, K. et al. “Lipedema and the Potential Role of Estrogen in Excessive Adipose Tissue Accumulation”. Int. J. Mol. Sci. 2021, 22, 11720.