Dezembro é, para muitos, o mês que sai totalmente à rotina: há mais eventos sociais, mais refeições fora de casa e menos treino. Para quem está num plano de tratamento da obesidade e utiliza fármacos à base de GLP-1 ou combinados GIP e GLP-1, isto merece uma atenção especial: como tomar o Mounjaro em mês de excessos.
Acima de tudo: o Mounjaro não é uma compensação. Neste artigo vamos explicar o que fazer para evitar frustração, sintomas gastrointestinais, perda de massa muscular ou mesmo aumento de peso.
O que é o Mounjaro?
O Mounjaro é uma das marcas da tirzepatida, o fármaco para o tratamento da obesidade. Atua como agonista dos receptores de duas hormonas: peptídeo inibidor gástrico (GIP) e peptídeo semelhante a glucagon 1 (GLP-1). Estas duas hormonas são produzidas naturalmente no intestino como resposta à ingestão de alimentos.
Num plano de tratamento para a obesidade, a tirzepatida é utilizada com o objetivo de:
- contribuir para o controlo da glicemia;
- prolongar a sensação de saciedade;
- reduzir o apetite e a ingestão calórica .
Ou seja, a medicação atua em sinais fisiológicos que vão afetar os comportamentos, reduzindo a fome, por exemplo, mas não atuam diretamente nos comportamentos ou nas escolhas alimentares.
O que a tirzepatida faz no organismo?
É frequente que pessoas em tratamento tirzepatida tenham:
- menos apetite;
- maior sensação de saciedade;
- menor food noise, o que reduz episódios de fome emocional;
- náuseas ou desconforto gastrointestinal, sobretudo quando comem alimentos com muita gordura, doces ou álcool.
Este último ponto refere-se a sinais que não são “efeitos secundários”, mas sim respostas previsíveis quando o padrão alimentar se afasta do que o organismo tolera sob a ação da tirzepatida.
Dezembro: um mês crucial nos planos de perda de peso
Como já referimos, o mês de dezembro é pautado por excessos ou por dificuldades em controlar o plano alimentar. Semelhante ao período de férias, pode ser um desafio porque vemos:
- menor consumo de proteína;
- maior ingestão de gorduras, doces e álcool;
- redução da prática de exercício físico;
- alterações no sono e na hidratação.
Quando este contexto acontece, o uso da tirzepatida não deve ser visto como uma compensação ou, ainda, achar que os resultados serão os mesmos.
Com o consumo de gorduras, álcool ou doces, é comum surgirem náuseas frequentes, um potencial ganho de massa gorda e perda de massa magra e, por consequência, em janeiro o resultado pode ser um aumento de peso.
O problema raramente é a medicação em si. Na maioria dos casos, é o resultado de um contexto global desalinhado com a estratégia nutricional e terapêutica.
Como tomar Mounjaro em mês de excessos?
Num plano de gestão de peso ou combate à obesidade — especialmente em mulheres adultas — a preservação da massa muscular é imprescindível. Não só pelo facto de em restrição calórica existir uma perda de massa magra associada à perda de peso, como pelo desafio que é a manutenção do músculo a partir dos 35-40 anos.
Por isso, o que há a fazer num plano de tratamento contra a obesidade com a toma de tirzepatida é:
- manter o plano alimentar o mais próximo possível do habitual;
- garantir a ingestão adequada de proteína;
- não abandonar o treino de força;
- assegurar uma boa hidratação;
- evitar a mentalidade de “perdido por cem, perdido por mil”;
- e, acima de tudo, não ajustar doses de medicação por iniciativa própria.
Os fármacos agonistas de GLP-1 e GIP são ferramentas eficazes, mas não funcionam isoladamente.
Estas ferramentas são potenciadores de resultados quando existe uma real mudança de estilo de vida, hábitos saudáveis e uma coerência entre alimentação, treino, sono e equilíbrio hormonal. Por outro lado, não é objetivo que deixe de vivenciar ou se coíba de usufruir estes momentos em família ou entre amigos.
Acima de tudo, e como em qualquer plano de tratamento, não é exigida a perfeição, mas sim o compromisso, a consciência e a estratégia nas escolhas. Só assim é possível atravessar épocas festivas sem comprometer os resultados ou a saúde.
Dr.ª Marta Padilha
Médica de Medicina Geral e Familiar com Master em Medicina Anti-envelhecimento e Longevidade e várias formações na área da Modulação Hormonal | Cédula Ordem dos Médicos nº44139
Dr.ª Carolina Ponte
Médica de Medicina Geral e Familiar e Médica de Medicina Integrativa Funcional | Cédula Ordem dos Médicos nº 55446